Colete mbO’ê
O Colete mbO’ê nasce de uma língua que ainda estava aprendendo a aparecer.
Com uma estrutura preta, limpa na frente, atravessada por triângulos que parecem sobras de um mapa em formação. Cada recorte colorido vem da lógica da Mati, a linguagem triangular da coleção tapeRa, e transforma refugo em vocabulário visual.
Em Guarani, mbO’ê significa ensinar. E é exatamente isso que a peça faz: ensina o olhar a ler a oRnii. Primeiro, a Mati cria a linguagem. Depois, mbO’ê mostra como ela se constrói no corpo.
A frente lisa guarda o gesto. As costas revelam o sistema. Os triângulos de 30° e 60° aparecem como módulos, vestígios e sinais: não decoram a peça, explicam sua origem. O patch com acabamento inacabado mantém uma tensão importante, como se a roupa ainda deixasse visível o momento em que a ideia virou matéria.
O abotoamento final foi pensado para trabalhar com aquilo que existe sem precisar aparecer. Um fechamento limpo, quase secreto, que conversa com a própria peça: presença não precisa gritar para ser percebida.
O Colete mbO’ê é uma peça de transição entre o comercial e o conceitual. Tem design evidente, mas não se afasta do uso. É para vestir uma construção: um colete que carrega a memória do que sobrou, a precisão do que foi pensado e a beleza de uma linguagem que começa a ensinar o corpo a falar.